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Asseiceira localiza-se no extremo sul do concelho de Tomar, ocupa uma área de vinte e nove quilómetros quadrados e é composta por cinco povoações (Asseiceira, Linhaceira, Santa Cita, Pastorinhos e Rodas), tendo como freguesias limítrofes Paialvo, Madalena e São Pedro de Tomar.

Esta belíssima freguesia, por muitos considerada “a pérola do concelho”, situa-se na estrada romana que estabelecia a ligação entre Scalabis e Penela, tendo funcionado, desde sempre como um local de repouso para os viajantes.

O topónimo Asseiceira provém da palavra latina que designa salgueiral, o que mostra que o povoamento desta zona concelhia é já muito antigo.

A presença humana no território que corresponde à actual freguesia remonta a épocas ancestrais, nomeadamente ao Paleolítico, tal como o comprovam os vestígios arqueológicos encontrados nas redondezas.

D. Pedro Alvito (Mestre dos Templários), no reinado de D. Afonso II (filho de D. Sancho I) , concedeu a Pelágio Farpado o lugar de Ceiceira, para que ai edificasse “uma Albergaria, para o serviço de Deus, e ali receberdes diferentes hospedes e pobres transeuntes, para ali fazerdes edifícios e trabalhos, e todos os da tua geração. Mas tu, e todos os que a tiverem, sejam nossos vassalos [da Ordem do Templo]  e estejam em nosso poder e em nosso termo. E nunca esta Albergaria, nem deus termos, seja dada a outro Senhorio”.

Esta doação é o primeiro documento que se conhece a fazer referencia a Asseiceira.

No ano de 1222, o lugar permaneceu quase deserto, sendo, apenas. Frequentado por malfeitores, o que implicava grande perigo para os viandantes. Esta situação levou D. Pedro Alvito a doar o dito lugar a Pedro Ferreiro, fundador de Ferreira do Zêzere. Em 1229, este resolveu dar a Asseiceira á Ordem do Templo, tal como de pode comprovar pelo documento seguinte, datado de 1 Junho:

“Eu Pedro Ferreiro, conjuntamente com a minha Mulher Maria Velasques e Minha Filha Maria Pires, em auxílio da Terra Santa de Jerusalém, damos a Deus e a vós aqui temos, e como tudo o que adquirimos.

Este pacto damos a vós para todos os dias, com tudo o que ali temos e possuímos, e sempre em vida tivemos.

Depois da morte também ficara para a Casa do templo, e vós Freires, e vossos sucessores, possuíeis todos os bens, posses e pertences, pacifica e integralmente, e os tereis e os possuireis eternamente.

E tereis aqui sempre clérigo que sempre celebre o Oficio Divino, pelas vossas e nossas almas e de nossos Filhos.

E por o que a vós damos, nos recebereis em vossa santa Comunidade. E sempre deveis amar-nos, aconselhar e ajudar, e defender-nos dos males e perigos.

E eu Pedro Ferreiro, e eu Maria Velasques, e Maria Pires nossa Filha, a vós Freires da Milícia do Templo, tudo isto confirmamos e concedemos.

E ninguém, quer da nossa parte quer da vossa, não tente quebrar ou diminuir este Acto; mas com firmeza e estabilidade seja perpétuo. E que o quebrar, pelo Deus Omnipotente seja lançado no Inferno, com os diabos, eternamente; e quem bem o observar, de corpo e alma receba a bênção do Deus Omnipotente, e vá com os seus fiéis Santos para o Santo Reino. Ámen.”.

Em meados do século XIII, no reinado de D.Afonso III, O Bolonhês, D. Pedro Gomes, Mestre da Ordem dos Templários, concedeu o Casal de Vale Bom à Ordem de São Francisco, com o intuito de que ai fosse fundado um Convento, tal como de pode verificar no Livro dos Mestrados, que pode ser consultado na Torre do Tombo.

Um documento ordenado por D. Afonso III, que data de 20 de Novembro de 1253, deu vários privilégios aos habitantes de Atalaia e de Ceiceira, dispensando-os de ceder cavalos, armas ou homens, exceptuando ao monarca.

Corria o ano de 1281, quando Torres Novas de tentou apoderar da albergaria de Ceiceira, mas D. Beatriz, rainha de Portugal, a pedido de D. Lourenço Martins, Mestre do Templo, ordenou que “(…)  daqui em diante não embarguem nem filhem esta albergaria, e leixem o Mestre do Templo, com ela estar em paz”.

D. Lourenço Martins e o Alcaide-Mor de Tomar resolveram, então, entregar a albergaria de Ceiceira a João Tuiseu, um homem que era considerado muito integro.

Uma Carta de 8 de Fevereiro de 1302, inserida no Livro nº28 da Chancelaria de D. João I, da responsabilidade de D. Dinis, protegia Asseiceira da cobiça dos seus vizinhos, uma vez que proibia “as vexações de que eram vitimas os povos de Asseiceira”, libertando esta povoação e a Atalaia dos relegos, portagens e almotaçarias que os concelhos de Tomar e de Torres Novas insistiam em colocar-lhes. De acordo com a Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, dez dias mais tarde, o mesmo rei mandou ali fazer uma povoação (proba).

Em 1315, o monarca D. Dinis conceeud carta foral a Asseiceira que se transformou, assim, em concelho e pensa-se que foi O Lavrador quem mandou semear o Pinhal Real de Santa Cita.

D. Manuel I, em 8 de Novembro de 1495,o concedeu o padroado da Igreja de Asseiceira a D. Pedro de Meneses, Conde de Cantanhede:

“D. Manuel Rei de Portugal e dos Algarves, de Aquém e de Além Mar em África, Senhor da Guiné, etc, fazemos saber a vós, D. Pedro de Meneses, Conde da Vila de Cantanhede, do Nosso Conselho… Temos por bem lhe fazer mercê e doação em dias de sua vida, dos padroados que Nós temos, das Igrejas das Vilas de Atalaia e Asseiceira… E queremos que daqui em diante, quando as ditas Igrejas vagarem, por falecimento de aquele que agora as tem, ele possa apresentar a elas quem lhe aprouver e por bem tiver”.

No dia 1 de Setembro de 1506, o mesmo  monarca emitiu uma Carta Régia respeitante ás Saboarias da povoação, tal como se pode comprovar no livro 13 da Estremadura da Chancelaria de D.Manuel:

“D. Manuel, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, a quantos esta Carta virem, fazemos saber que querendo Nós fazer graça e mercê a Simão Lopes, escudeiro, morador na Vila de Alcácer de África, por Lopo de Sousa, que no-lo para ele pediu;

Temos por bem e lhe fazermos mercê, da renda das Nossas Saboarias da Vila de Atalaia e da Vila de Asseiceira, assim e pela maneira que de Nós as teve Maria Gonçalves, sua Mãe, e que agora se finou.

E porém mandamos ao nosso Contador da dita Comarca, e a quaisquer Nossos Oficiais… que o metam logo em posse das ditas Saboarias e que lhe deixem ter, haver e arrecadar para si as rendas delas”.

O foral concedido a Asseiceira por D.Dinis acabou por ser confirmado por D.Manuel, tal como consta do Livro 47 dos Forais Novos da Estremadura:

“D.Manuel, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algrves, etc., fazemos saber.. das Vilas de Atalaia e Asseiceira; que pelas inquirições exames que mandamos fazer em nossos Reinos, para justificação dos ditos moradores deles, achamos que na dita Vila se não pagou nunca nem hão-de-pagar nenhuns Foros nem Direitos Reais, de nunhuma sorte, ou jurisdição que seja.Porque tudo livremente foi dado lugar na primeira povoação dele (…)”.

No ano de 1834, desenrolou-se nesta freguesia uma batalha fundamental para o desenrolar do conflito entre os liberais e os absolutistas. Assim, no dia d16 de Maio, as tropas fieis aos ideais liberais, comandadas pelo Duque da Terceira, impuseram uma pesada derrota aos defensores da causa miguelista, o que acabou por contribuir para a vitoria de D. Pedro, que culminou com a subida ao trono da sua folha D. Maria II, tendo ele mantido a posição de Regente.